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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 03:54:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rbacellar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Indiferente, talvez. Impassível. Como quem trava diálogos consigo mesmo, flutuava em movimentos imprevisíveis. Não se podia relacionar seu humor a algo que aconteceu. Era como se estivesse num mundo próprio, inacessível. Ao menos aos olhos externos. Não sabia muito bem por que precisava disso. Só sabia que precisava. Mas tinha consciência. Ridículo. No fundo, era [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com&amp;blog=8661484&amp;post=68&amp;subd=apostoqueesseaindanaoexiste&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Indiferente, talvez. Impassível. Como quem trava diálogos consigo mesmo, flutuava em movimentos imprevisíveis. Não se podia relacionar seu humor a algo que aconteceu. Era como se estivesse num mundo próprio, inacessível. Ao menos aos olhos externos. Não sabia muito bem por que precisava disso. Só sabia que precisava. Mas tinha consciência. Ridículo. No fundo, era ridículo. É isso. Como trazer à tona as milhões de coisas que o mundo lhe desperta, quando são todas elas tão ridículas? Não há conciliação. Tudo lhe causa sentimentos por demais irracionais para serem mostrados tal como vêm. É quase como um desencontro crônico. Talvez uma falha em pensar concretamente. Ou só uma sensibildade descompassada. O fato é que sabia disso. Por maior que fosse a dessintonia, sabia dela. Percebia o mundo e percebia a si e via só dissonância. Não, não, era tudo particular demais, complexo demais, próprio e inexplicável demais, seria como criar uma nova linguagem, uma simbologia privada. Sua fala tal como gostaria de trazer quase sempre vinha tão inapropriada. A boca fechada era o melhor. Recolher-se era o melhor. Sempre foi. E aos poucos era como se compartilhar-se com qualquer coisa do lado de fora se tornasse uma mera possibilidade distante. Um chacoalhar das pessoas queridas, uma insistência desesperada pela fala, uma tentativa de achar sentido no silêncio, na palavra desanimada, na monotonia do discurso, na pobreza do olhar, no falhar das emoções&#8230; nada. Nada. O que é isso? O que acontece? Rancores ilimitados ecoando numa caverna sem saída, um ridículo intransponível, quantas revoluções e novas filosofias não surgiram para ter apenas um espectador. Um solitário e amargurado espectador. Parou de tentar, depois de um tempo. Era falho demais enquanto um ser positivo. Tudo que existia era o negativo, o que não se vê, o não dito, o ausente. Como mostrar ao mundo que o carrega em suas costas sem que ele o saiba; aos queridos, quão importantes e valorizados são, cada um; que os gestos são vistos; que aquele seu pequeno ato simbólico significou mais do que qualquer declaração de afeto que poderia fazer; que se ama com a força de um Cristo, que sacrificaria a própria vida pelos amados? Como admitir o quão ridicularmente inapropriadas são cada uma de suas reações; que o desencontro concretizado só traz dores e destruição; por onde dar vazão a tantas novas filosofias, às humanidades que apertou contra o peito, chorando; como trazer consigo um espectador que fosse a esse universo estranho; como se unir a quem ama quando tudo lhe traz dores tão inefáveis e estúpidas, impassíveis de compreensão senão sua própria? </p>
<p>Procurava tais respostas. Sem se dar conta que mais se perdia em si. Tinha só o silêncio. O silêncio de quem sente um mundo que não sabe daquele o sente. Um número anônimo nas estatísticas, morto em si mesmo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/68/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com&amp;blog=8661484&amp;post=68&amp;subd=apostoqueesseaindanaoexiste&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>devagar e sempre.</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 03:19:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rbacellar</dc:creator>
				<category><![CDATA[5s]]></category>
		<category><![CDATA[disciplina]]></category>
		<category><![CDATA[exercícios físicos]]></category>
		<category><![CDATA[reflexões cotidianas]]></category>

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		<description><![CDATA[É fácil desejar coisas difíceis de se obter. Mas poucos resistem pagar o preço e logo mudam de foco. Alguns têm tão pouca paciência para conquistar aos poucos que recorrem a extremismos imediatistas. No ambiente de academia isso é visível de forma quase palpável. Vê-se vários tipos de pessoas, mas a maioria é composta de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com&amp;blog=8661484&amp;post=43&amp;subd=apostoqueesseaindanaoexiste&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É fácil desejar coisas difíceis de se obter. Mas poucos resistem pagar o preço e logo mudam de foco. Alguns têm tão pouca paciência para conquistar aos poucos que recorrem a extremismos imediatistas. No ambiente de academia isso é visível de forma quase palpável. Vê-se vários tipos de pessoas, mas a maioria é composta de jovens. Ansiosos pela modelação física, querem resultados rápidos ao que deveria vir de maneira espontânea, ao longo do tempo. Querem braços, pernas e abdômens bem definidos. Até aí tudo bem. Mas querem isso em três, cinco, seis meses. Não demora muito até a realidade vir à tona &#8211; pode demorar muito mais. Numa ânsia infantil pela admiração, adequação aos padrões de uma elite e sucesso sexual, apelam a medidas drásticas. É comum ver alguém ainda sem o devido desenvolvimento dos músculos ir direto aos exercícios mais pesados. Hoje, na academia, vi duas situações assim. O primeiro sentou-se à bicicleta e pôs a quarta carga &#8211; o que exige aplicar uma força de cerca de 4kg com cada perna, enquanto pedalava a com rapidez, o que não é nem um pouco fácil. Nem um pouco. O rapaz, ainda que forte, pedalou por cerca de um minuto e meio, e saiu. No mesmo instante, lembrei-me das aulas de Educação Física do Ensino Médio. Quando fazíamos o teste de Cooper, uma parte das pessoas, desejando ressaltar-se, ter uma boa colocação em relação aos outros, iniciava o percusso já em alta velocidade, a largas passadas. Não é preciso ser muito inteligente para saber o que aconteceria: eles se cansavam antes de todos os outros e o resultado era que chegavam <em>depois</em> dos demais, pois desperdiçaram toda sua energia em algumas dezenas de metros. A segunda situação foi a de um rapaz jovem, de cerca de dezoito anos. Ele é bastante magro e vê-se que ainda não tem muita massa muscular, apesar de não ser fraco. Muito confiante, foi logo aos pesos de 20 Kg. Estava exercitando-se levantando, ao todo, 50 Kg. Precisou de ajuda para levantar no início. Não aguentou por muito tempo. Via-se em seu rosto a vontade de participar daquele seleto grupo de fortões, conversando sobre seus sucessos sexuais, carros e fazendo comentários machistas e homofóbicos. Por fim, torna-se óbvio: essas pessoas não estão ali para cuidar de sua saúde &#8211; estão para fazerem parte desse meio. E talvez unicamente para isso. Com o passar da idade, torna-se cada vez maior o desejo de ser alguém, de estar com pessoas que julga-se de um bom nível; quer-se se reafirmar perante outros, ser aceito, formar identidade adotando padrões de um grupo &#8211; uma identidade e personalidade moldadas unicamente por e para outrem é e só poderia ser ilusória, que diga-se de passagem. Talvez essa seja a luta de todo ser humano e não há nada de tão condenável nisso, mudam apenas a forma de se obter essas coisas; mas esse caso em particular é, convenhamos, de moralidade questionável &#8211; só que agora isso não vem ao caso. E é esse desespero por ser atraente, admirado, aceito e fazer parte que impulsiona tais atos drásticos, que podem trazer severos problemas à saúde, estimular o uso de produtos ilícitos, podendo transformar-se numa obsessão, onde o real motivo por trás de tais vontades é esquecido, resultando numa aflição incessável.</p>
<p>Isso tudo me lembra da fábula da lebre e a tartaruga. A história é um pouco diferente do que eu disse aqui. Suponho que todos sabem como termina: a lebre, em seu excesso de confiança, acabou subestimando a tartaruga. Mas o importante é a lição que se tira da fábula &#8211; devagar, mas sempre, chega-se na frente. Ou melhor dizendo, quem segue em nível constante, ainda que devagar, tem muito mais chances de atingir um objetivo. Podemos aplicar o mesmo conceito para muitas outras coisas. Quando o assunto são os estudos, essa questão torna-se tão ou até mais explícita. É comum ver algo parecido com quem está cursando, digamos, uma faculdade: faltando pouco tempo para uma prova, o desespero toma conta e os meses de estudos mal feitos vêm à tona. Em três dias, quer-se recuperar tudo, estudando oito horas por dia. Há vários momentos em que o medo bate e depois, com grande sentimento de justiça, dá-se o mérito por ter estudado algumas horas ininterruptas ocasionais. Ora, para uma meta que se dá a tão longo prazo como um curso na faculdade, esforços desesperados não são grande coisa &#8211; são como aqueles que iniciam uma corrida dando seu máximo, o que dura pouco e eles acabam ficando para trás ou até não chegando ao final. Eu diria que o certo seria estudar ao menos umas quatro horas todos os dias. Depois de alguns meses mantendo esse ritmo de maneira constante, poderia-se, <em>talvez</em>, começar a pensar em se dar algum mérito. Não é necessário que seja algo tremendamente doloroso, desde que seja constante e com eventuais intensivões. O mesmo vale para os exercícios físicos. Mas podemos ir ainda mais longe: isso vale para quase qualquer meta que se ambiciona. Quem deseja solucionar tudo que há para se solucionar, seja onde for, de uma só vez, vai se dar terrivelmente mal. O que importa não é a força que se aplica, mas sim que se continue aplicando força.</p>
<p>Demorou um pouco para perceber, mas hoje eu entendo: a vida não é um teste de força, é um teste de resistência. Eu posso ter demorado, mas alguns morrem sem ter se dado conta, lamentando por só ter desejado e nunca conseguido.</p>
<p>&#8220;<em>Na vida não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar.</em>&#8220;</p>
<p>(Rocky Balboa)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com&amp;blog=8661484&amp;post=43&amp;subd=apostoqueesseaindanaoexiste&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>morto em vida.</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 22:32:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rbacellar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O sol bateu em seu rosto. Era manhã. Acordou assustado. Estava seminu na cama, ao lado de uma mulher também pouco vestida. Haviam transado na noite passada. Em sua mente, apenas vagas lembranças do ocorrido, fragmentos de um acontecimento qualquer. Mas ela trazia um sorriso de tranquilidade. Para ela não foi irrelevante. Foi tremendamente prazeroso. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com&amp;blog=8661484&amp;post=52&amp;subd=apostoqueesseaindanaoexiste&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O sol bateu em seu rosto. Era manhã. Acordou assustado. Estava seminu na cama, ao lado de uma mulher também pouco vestida. Haviam transado na noite passada. Em sua mente, apenas vagas lembranças do ocorrido, fragmentos de um acontecimento qualquer. Mas ela trazia um sorriso de tranquilidade. Para ela não foi irrelevante. Foi tremendamente prazeroso. Nesses doze anos de casados, ela raramente não gostou de uma noite de sexo. Ele, por sua vez, não demonstrava muito além do breve gozo físico. Depois, era como se nada tivesse acontecido. &#8220;É o jeito dele&#8221;, todos diziam. Poucas palavras ou gestos de carinho e uma expressão facial distante, como se estivesse absorto em algo inacessível, com olheiras constantes, que denunciavam suas noites de insônia. Em momentos com amigos ou família, estar ali era como ter que cumprir com uma obrigação. Ficava tenso, fazia cara de emburrado e tentava sair o mais rápido possível. Recolhia-se ao seu quarto, onde permanecia sozinho, lendo o que estivesse à mão, desperdiçando seu tempo com falsos prazeres ou vendo filmes que já não despertavam qualquer gosto.</p>
<p>&#8220;É o jeito dele&#8221;, dizem. Mas não. Não é o jeito dele. Ele costumava ter o que o fazia se sentir vivo. Sempre soube que para ter boas condições, precisaria de dinheiro. Então, correu atrás. Passou cinco anos de sua vida estudando seis horas por dia para obter um diploma de bacharel. Ainda insatisfeito e com uma renda insuficiente, passou três anos estudando oito horas por dia para trabalhar na administração de um banco, mas passava tanto tempo lá que não conseguia aproveitar sua condição financeira. Mas quando podia comprar filmes e livros caros, viajar por toda a Europa, estar com amigos ou até ter uma noite de sexo, continuava impassível. Nunca pôde ser irresponsável e ir a festas. Nunca conseguiu. Tinha muita energia e libido em si, mas poucas garotas o chamavam atenção. Quando gostou de uma pra valer, aquilo o desestabilizou por completo, mas se sentir tão absurdamente vivo e feliz por dentro fazia todo tipo de esforço e desventuras valerem a pena. Foram três meses perfeitos, até que ela o deixou. O pai era militar e acabou sendo mandado para outro estado. O relacionamento não se sustentou à distância, e ela acabou gostando de um outro, de sua cidade. Ele leu as palavras de abandono numa carta como quem assiste a morte de tudo que faz a vida valer a pena, calado, sem qualquer ação ao seu alcance. Mas não derramou uma lágrima que fosse. É como dizem, não se deve ter uma relação com quem se realmente gosta &#8211; ele pensava. E assim fez. Sua esposa nunca foi sua amada, é mais como uma boa amiga com quem se transa, nada mais. Sonhava em ter filhos e uma vida com aquela moça de antes, mas teve de se contentar em ter dois meninos que lhe despertam nada além de um sentimento de obrigação paterna, uma esposa que não ama, um emprego desagradável e maçante para sustentar um lar que sequer sente como sendo seu. Estava vivendo uma vida que não era sua.</p>
<p>Está no banheiro. Trêmulo e andando de um lado para o outro, deu-se conta de como desperdiçou sua vida. Encobriu suas vontades em um buraco com terra, julgou ridículo e condenável o que queria e aumentou o tamanho dos empecilhos, sempre contentando-se em estilhaçar seus sonhos e ignorar a si. Pensava que haveria um depois para ajeitar cada uma das coisas perdidas ou desejadas, mas estava enganado. Já era tarde demais. Procura culpados, tenta entender. É tão simples, mas ele já não consegue ver nada: a pessoa por trás da máscara não tinha mais como sair; uma vontade genuína que surge é como um grito abafado de alguém sendo afogado &#8211; vêm milhares de análises eloquentes, repressões impiedosas, depreciações incessantes, embaraço esmagador, desculpas esfarrapadas, desvios induzidos e atitudes infantis. Não, não eram à toa tantos sonhos com mortes: matou dentro de si quem amava, matou seus planos um a um, matou o sentimento de amizade e, sobretudo, matou a si mesmo. Conforme dá-se conta, reage com longas justificativas infundadas simplesmente por falta de coragem de admitir que está em suas mãos correr atrás do que realmente precisa. Aumentam então as explicações complexas &#8211; reação à aproximação da verdade que não suporta: a culpa é inteiramente sua. Culpou por muito tempo as circunstâncias, seus pais, a necessidade financeira que não o deixou buscar o que precisava de verdade. Mas não passavam de mentiras. Podia ter ido atrás de quem amava por maiores que fossem as dificuldades e os revezes, se concedido elogios ao invés de unicamente críticas; não correu riscos: fez o que era certo, mas não o que devia. Adiou tudo o que quis sem se dar conta de que a vida já começou havia muito tempo. E agora, atolado em desespero e arrependimento, põe novamente de lado tudo que poderia fazer para mudar, cedendo ao medo, como sempre fez.</p>
<p>Muitas pessoas ao seu redor. Mas ele só vê seus pés. Parecem tocá-lo. Pode ouvir suas vozes em aflição. Há muito movimento, mas aos poucos tudo parece se apagar. Os sons desaparecem, as pessoas somem. Aquela moça surge para ele. No balanço que brincava quando criança sorriem e conversam. Tenta ouvir novamente aqueles que o observam, deitado ao chão, mas agora nunca mais vai ver, ouvir nem sentir qualquer coisa. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/52/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com&amp;blog=8661484&amp;post=52&amp;subd=apostoqueesseaindanaoexiste&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>The Resistance</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 07:29:39 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Conforme divulgações oficiais, o Muse está preparando um novo álbum, com lançamento previsto para o dia 14 de Setembro. The Resistance será o nome e a lista das faixas já é de conhecimento público. Ainda não se sabe a duração de algumas delas. 1. &#8220;Uprising&#8221; – 5:02 2. &#8220;Resistance&#8221; – 5:46 3. &#8220;Undisclosed Desires&#8221; – [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com&amp;blog=8661484&amp;post=8&amp;subd=apostoqueesseaindanaoexiste&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conforme divulgações oficiais, o Muse está preparando um novo álbum, com lançamento <a href="http://www.nme.com/news/muse/45413">previsto para o dia 14 de Setembro</a>. <em>The Resistance</em> será o nome e a lista das faixas já é <a href="http://www.musebootlegs.com/blog/?p=654">de conhecimento público</a>. Ainda não se sabe a duração de algumas delas.</p>
<p>   1. &#8220;Uprising&#8221; – 5:02<br />
   2. &#8220;Resistance&#8221; – 5:46<br />
   3. &#8220;Undisclosed Desires&#8221; – 3:56<br />
   4. &#8220;United States of Eurasia/Collateral Damage&#8221; – 5:47<br />
   5. &#8220;Guiding Light&#8221; – 4:13<br />
   6. &#8220;Unnatural Selection&#8221;<br />
   7. &#8220;MK Ultra&#8221;<br />
   8. &#8220;I Belong to You/Mon Cœur S&#8217;ouvre à ta Voix&#8221;<br />
   9. &#8220;Exogenesis: Symphony Part I (Overture)&#8221;<br />
  10. &#8220;Exogenesis: Symphony Part II (Cross Pollination)&#8221;<br />
  11. &#8220;Exogenesis: Symphony Part III (Redemption)&#8221;</p>
<p>Já está anunciada uma turnê pela Europa, assim como estão definidas as localidades, dias e horários. A banda está realizando um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alternate_reality_game">ARG</a> para promover o álbum e, como prêmio para as etapas vencidas, liberam a música United States of Eurasia. Trata-se do site <a href="http://ununitedeurasia.muse.mu/">Project Eurasia.</a> Até pouco tempo, apenas liberavam-na incompleta. Não demorou muito até ser disponibilizada por completo no jogo. No entanto, foi, há pouco, oficialmente publicada para <a href="http://www.museresistance.com/?p=90">download</a> sem que se precise ser membro do jogo. Também é possível baixar a música Uprising, a primeira do álbum.</p>
<p><img src="http://apostoqueesseaindanaoexiste.files.wordpress.com/2009/07/muse_-_the_resistance-blue-mc.jpg?w=460&#038;h=345" alt="Muse_-_The_Resistance-Blue-MC" title="Muse_-_The_Resistance-Blue-MC" width="460" height="345" class="alignnone size-full wp-image-10" /></p>
<p>Antes de se pensar sobre os rumos que a banda está tomando, é necessário conhecer o que veio antes. O álbum <em>Showbiz</em> (1999), o primeiro de estúdio, lança um Muse com canções cativantes e sem grandes compromissos. O som ainda não é maduro, tem um quê de proximidade com o público adolescente, beirando o indie &#8211; o que era de se esperar, vindo de um contexto de explosão de bandas do estilo, o que se sustenta com a tradição do rock britânico. O álbum possui o seu valor &#8211; e ainda pode-se dizer que tem sido bastante sub-apreciado -, mas na presente análise não exerce papel significativo. </p>
<p>O álbum que deu continuidade trouxe ao público um estilo melhor consolidado. É visível que a banda encontrou seu caminho e o que deseja fazer: abordagem de temas grandiosos e incomuns; um baixo potente utilizando-se de diversos efeitos eletrônicos e distorções de maneira bastante particular; e melodias ao piano que fazem referência a compositores românticos, como <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rachmaninoff">Rachmaninoff</a>.<em>Origin of Symmetry</em> (2001) possui uma sonoridade mais sombria e já faz ampla abordagem da temática da diminuição do indivíduo em prol de uma sociedade que nos empurra a caminhos cada vez mais desumanos, o que se torna recorrente na música da banda. Explorando, dessa vez, efeitos sintéticos, com teclados relativamente constantes, definem o que viria a ser o início de uma diretriz de aparatos eletrônicos versatilmente utilizados. Algo de notável nesse álbum é o uso de um órgão de tubo na música Megalomania. O nome da música, a letra que fala de uma imposição sofrível de dogmas religiosos que abalam a estrutura do indivíduo e acabam por apagá-lo para que se adeque (&#8220;<em>take off your disguise, I know that underneath it&#8217;s me</em>&#8220;), assim como a presença do incomum instrumento são, no mínimo, coisas ilustrativas quanto ao que esperar quando se pensa em Muse.</p>
<p>Não demorou muito até o surgimento de um novo álbum. <em>Absolution</em> (2003) é facilmente identificável como sequencial ao anterior, mas agora há uma certeza quanto ao estilo da banda, que se consolida definitivamente. <a href="http://www.seattlepi.com/pop/172255_muse07.html">O período de guerra no Iraque surtiu grande efeito sobre a produção do álbum. &#8220;Os maiores protestos anti-guerra na história estavam acontecendo lá fora&#8221;, disse o vocalista Matthew Bellamy. &#8220;Era impossível ignorar, e o direcionamento da composição das letras se deu no meio de tudo isso&#8221;. Há uma notável presença de temas como medo, desconfiança, problemas emocionais; também lida com questões apocalípticas, fazendo referências ao fim do mundo, e fins e inícios.</a> De um álbum que trouxe um sentimento quase palpável de tensão, urgência e desesperança, resultando numa produção praticamente conceitual, saíram alguns dos maiores sucessos da banda. Atingindo o topo das paradas européias, músicas como Hysteria, Sing For Absolution e Time is Running Out estão até hoje entre as mais conhecidas e apreciadas pelos fãs.</p>
<p><img src="http://apostoqueesseaindanaoexiste.files.wordpress.com/2009/07/museabsolution-300dpi5b15d.jpg?w=460&#038;h=345" alt="MuseAbsolution-300dpi5B15D" title="MuseAbsolution-300dpi5B15D" width="460" height="345" class="alignnone size-full wp-image-31" /></p>
<p>Épico. Assim começa e termina o álbum <em>Black Holes and Revelations</em> (2006), que traz uma temática essencialmente política e de decepção com os rumos que a humanidade está tomando, e faz referências à idéia de invasões alienígenas, assim como de teorias da conspiração. Pelo conceito geral do álbum, ronda um sentimento de medo e pânico no ar (&#8220;<em>fear and panic in the air</em>&#8220;). Há agora uma maior presença de linhas de baixo sintetizado, um quê de industrial (Map of Problematique), trechos acústicos em estilo latino, influências do Queen, algo de teatral quase cômico (Supermassive Black Hole), e arpejadores. &#8220;Buracos negros e revelações &#8211; são as duas áreas de letra de música que pra mim dizem respeito à maioria do álbum. Uma revelação sobre si mesmo, algo pessoal, algo de uma natureza genuinamente cotidiana a que talvez as pessoas possam relacionar. E então o buraco negro são essas canções que são mais das&#8230; regiões desconhecidas da imaginação.&#8221;, disse Bellamy à Q Magazine, em Setembro de 2006. Em espírito de &#8220;<em>there&#8217;s no justice in the world and there never was</em>&#8221; e &#8220;<em>what we&#8217;ve become is contrary to what we want</em>&#8220;, o álbum termina com &#8220;<em>you and I must fight for our rights</em>&#8220;, o que se aproxima do que o próximo parece trazer.</p>
<p>Se a banda ia pra um estilo cada vez mais eloquente, épico, aproximando-se do progressivo e da música erudita, depreende-se que atingiu o ápice no álbum que está por vir.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com/8/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=apostoqueesseaindanaoexiste.wordpress.com&amp;blog=8661484&amp;post=8&amp;subd=apostoqueesseaindanaoexiste&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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